Olá amores!
Sabemos e não podemos negar que muitas pessoas não estão passando bem durante essa quarentena, devido ao medo que as vezes pode tomar conta do ser, afetando seu organismo. Mas, o que fazer então diante de todo esse movimento psíquico e emocional? Alguns estão sendo mais solidários, mais amigos, compreensivos, oferecendo assim, um ombro amigo mesmo que à distância. Julgar as pessoas não é algo legal, mesmo que por vezes façamos isso quase que instantaneamente, julgá-las por seus medos, por suas falhas, não é algo bom nesse momento e acredito que nunca foi, pois somos seres humanos e erramos. Sentir faz parte dessa condição. Cada um tem sua concepção, sua visão referente ao mundo, e isso deve ser respeitado. Alguns tem buscado consolo com amigos e entes queridos, outros com psicólogos, e até mesmo com médicos do pronto atendimento. Outros estão buscando na fé. E o que eu pude perceber é que muitos estão contribuindo para o bem-estar de outras pessoas, seja por vezes uma ligação comum.
Vamos continuar algumas entrevistas, conversas que realizei com a participação de alguns profissionais da área de saúde em Uberlândia. Sejam bem-vindos novamente!
“No início da Pandemia, começamos a assistir por noticiários, a história de um vírus com alta taxa de infecção e baixa letalidade. No início muitas dúvidas, expectativas, como manejar o paciente, como tratar? Uso rigoroso de máscaras, EPIS. Chegávamos no consultório e já começávamos a limpeza do ambiente, limpeza bem feita das mãos o tempo todo e com muita cautela, passávamos álcool em tudo e todos os lugares. Os pacientes sumiram do pronto-socorro e só chegava quem realmente precisava. No pronto atendimento, para quem não conhece, são 3 salas de atendimento médico, ficaram apenas duas e uma nova sala foi preparada para os pacientes com sintomas gripais. Atendíamos os pacientes e contávamos com ajuda de infectologistas para dúvidas quanto ao acompanhamento dos pacientes. No princípio imperavam o medo e a dúvida. O medo do novo, das transformações. A dúvida de como atuar precisamente em algo que mal sabíamos: a fisiopatologia completa. Não conhecíamos a história natural da doença, pois estávamos ali construindo essa história. No decorrer do dia eram muitos aprendizados, revisávamos diariamente os artigos, fazíamos aulas online com especialistas de todo o Brasil, e vários estudos diariamente. No consultório, alguns pacientes não apresentavam a doença, mas com a quarentena eles vinham com alterações psiquiátricas graves, alguns chegavam em surto, dores no peito, medo, síndrome do pânico, as pessoas estavam realmente adoecendo por medo, incerteza, tristeza, medo de perder o controle sobre suas vidas. As pessoas têm medo da mudança, pelo que pude perceber. Muitas vezes eu estava ali compartilhando do mesmo sentimento, mas me controlando para ajudar ao próximo. Percebi que estava curando pessoas e ao mesmo tempo estava me curando. Comecei a ouvir mais os meus pacientes, as consultas duravam mais tempo, e nisso ia percebendo um pouco de melhora. Observando como telespectador os meus pacientes e os meus próprios sentimentos e emoções iniciei um autocuidado e uma profunda gratidão de estar nessa cidade (Uberlândia), nessa história e participar da linha de frente nessa batalha contra a pandemia. A Observação de profissionais da área de saúde sendo verdadeiros heróis e enfrentando todos os seus medos na tentativa de salvar o próximo, demonstrando o amor. E ao mesmo tempo tendo que ser dura com pacientes que testam positivo e não querem fazer o isolamento. Hoje em dia, levo dentro do meu processo de evolução, o ato de enxergar o ser humano em toda a sua totalidade Bio-Psico-Social, e não enxergar somente a doença, a pandemia e os seus percalços, mas sim, avançar como seres únicos e fortes em busca do melhor potencial a ser retirado de cada ser, potencializando-os, e aprimorando toda nossa capacidade, afinal corremos riscos desde o nascimento, sendo que o que nos faz grandes é a maneira como vencemos os obstáculos. A semente da consciência cósmica, ainda que por vezes esquecida, é como um fio que une tudo e todos, permitindo relembrar o estado de perfeita integração da consciência de todos os seres em uma só totalidade.” Dr. Kamila Feitosa Carlos - Médica da Unidade de Pronto Atendimento da UAI Roosevelt.
"Se levarmos em consideração que quase 100% dos leitos estão ocupados, considerando todos e diversos tipos de enfermidades que necessitam de UTI, percebemos estarmos à beira de um colapso. Temos mais doentes do que leitos de UTI, o que torna a situação desesperadora. Estamos abalados emocionalmente, acho que é até normal diante da situação de todos nós que estamos na linha de frente, pois estamos em contato diariamente e diretamente com o infectado. Nosso maior desafio tem sido conscientizar as pessoas da importância de lavar bem as mãos, usar máscara, pois muitos jovens e adolescentes acham que estão imunes e que nada os afetarão. Espero que tudo passe logo, e que o ser humano se torne melhor após a pandemia.” Jakeline Freitas, trabalha na área de Análises Clínicas em Uberlândia em Unidade de Pronto atendimento.
Dra. Helly Aguida explica que quando passamos por um trauma ou uma situação de estresse, em que há ativação do sistema nervoso autônomo, que é independente de nossa vontade ou consciência, que esteja implicado com um movimento psíquico e emocional. Ele enerva, por exemplo, o coração, pulmões e todo o aparelho digestivo. Isso explica muitos sintomas que podem surgir em situações estressantes, como diarreias, batedeiras, falta de ar, dores de estômago, suores, entre outros. Bem no centro do cérebro há um sistema muito associado às emoções - o sistema límbico. Esse sistema é primitivo, complexo, se relaciona com a memória, com todo o corpo e, em maior ou menor grau, com áreas mais cognitivas ou racionais do cérebro, como o córtex. E isso (tornar a emoção conhecida e poder pensar sobre ela) depende do quanto nós somos trabalhados como pessoas em relação às nossas vivências mais intensas ou traumáticas. Saber de si, porque quando eu consigo dar nome para uma emoção como a raiva, por exemplo, a expressão como tal, talvez eu possa me livrar de um ataque cardíaco. Quando estou com a mesma sensação de raiva e não a percebo ou a interdito em sua exposição, esse mecanismo de que estou falando pode ser acionado nos níveis psico-neuro-endócrino-imunológico. A dificuldade do nosso contato ou expressão dos conteúdos afetivos e das emoções, especialmente quando isso acontece na vida de forma repetitiva pode comprometer as funções reguladoras do corpo, que se relacionam com o surgimento de doenças, incluindo as autoimunes e o próprio câncer. Somos uma via de mão dupla: Psicossomática (comunicação da psique para o corpo) e somatopsíquica (comunicação do corpo para a psique). Dessa forma, o toque, o aroma, o ambiente, a respiração consciente apresentam potencial organizador da mente e das emoções a partir do corpo. Fazem parte de um cuidar integrado.
Então meus amigos,
não tenham medo das suas fraquezas, inseguranças, imperfeições, da sua solidão, do seu desamparo. Não tenha medo de ser pessoa, de olhar e reconhecer sua humanidade, porque isso nos liberta. A partir desse nosso encontro, corpo e alma podem se reconhecer, andar juntos, tomar consciência de si, e então, buscar e cuidar de sua saúde.
ótimo final de semana e um abraço virtual pra você aí da telinha!
Até a próxima!
Viviane Melo
